07/09/2008 - ZERO HORA (RS)
Três testes para a alfabetização
Metodologias diferenciadas de ensino são adotadas em escolas da rede pública estadual e elevam em até 25% a média de desempenho dos estudantes
Uma experiência em andamento no Rio Grande do Sul demonstra que, em um curto período, é possível melhorar o processo de alfabetização no Brasil – onde cerca de metade dos alunos chega à 4ª série sem saber ler ou escrever adequadamente. A adoção de três metodologias diferenciadas em 410 turmas da rede pública estadual, desde 2007, elevou em até 25% a média de desempenho dos estudantes e deflagrou um debate sobre a necessidade de se reformular o ensino do bê-á-bá nas Escolas.
Para definir que nível de habilidade deve ter uma criança ao terminar a nova 1ª série no ensino fundamental de nove anos, a Secretaria Estadual da Educação (SEC) convocou o Instituto Ayrton Senna, o Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação (Geempa) e o Instituto Alfa e Beto para aplicarem suas metodologias educacionais em turmas que somavam 8,6 mil alunos. Ao final do ano, os alunos incluídos no projeto-piloto responderam a um exame para medir sua aprendizagem. Um quarto grupo, que não participou de nenhum trabalho especial, também foi testado para permitir a comparação com o ensino tradicional praticado nos colégios estaduais.
Mesmo tendo iniciado o trabalho com o ano letivo já em andamento, as organizações responsáveis pelas experiências didáticas alcançaram médias de desempenho superiores às de turmas alfabetizadas segundo o modelo convencional da rede pública. Enquanto os alunos alfabetizados pela via tradicional obtiveram nota 54,41 em um exame aplicado ao final do ano letivo (considerada “insatisfatória” em uma escala até cem), a média das três metodologias ficou em 62,14 (“regular”).
O Alfa e Beto usa o método fônico (veja quadro), o Geempa adota o pós-construtivismo, e o Ayrton Senna criou não um modelo didático, mas um plano de gerenciamento do ensino. Apesar das diferenças conceituais sobre a forma de educar, as três iniciativas apresentaram uma receita em comum que pode ajudar a explicar a melhoria detectada em um exame aplicado ao final do ano letivo: oferta de material didático específico, supervisão do trabalho em sala de aula e investimento na formação dos professores.
– No Brasil, a alfabetização é ideológica, porque não tem fundamentação científica. Há 30 anos se faz do mesmo jeito, e a situação é péssima – afirma o o presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Oliveira.
Para a presidente do Geempa, Esther Grossi, nas salas de aula da rede pública estadual atualmente não se leciona com base em uma metodologia clara – o que comprometeria a qualidade da alfabetização.
– Há uma mistura dos diferentes modelos de alfabetização. Os professores estão tão perdidos que, quando encontram um apoio, trabalham melhor – afirma.
Esse apoio se reflete no recebimento de material didático específico e em reuniões periódicas de formação e acompanhamento do trabalho – receita aplicada pelas três entidades. professora e alfabetizadora há cerca de três décadas, Mirian Rigotti se surpreendeu ao modificar seu estilo de lecionar após tanto tempo.
– Depois de anos me vi colocando livros sobre a mesa, lendo muito e planejando a minha aula em detalhes. Dá um trabalho danado, mas o resultado foi impressionante. A turma aprendeu muito e rapidamente – afirma Mirian, que seguiu a linha do Alfa e Beto em uma Escola da Capital.
Diretora-adjunta do Departamento Pedagógico da SEC, Sônia Bier afirma que a idéia do governo não é escolher um modelo a ser seguido por todos os professores, mas definir que competências as crianças devem adquirir ao final da 1ª e da 2ª séries com base nessa experiência. A SEC estuda, porém, ampliar o projeto-piloto para um maior número de colégios no ano que vem.
marcelo.gonzatto@zerohora.com.brMARCELO GONZATTOA experiência gaúchaMÉTODO FÔNICOQuem aplica: Instituto Alfa e Beto, com sede em Belo Horizonte (MG)O que é: enfoca a relação das letras com os sons correspondentes. É o método que tornou célebre a cartilha de antigamente e, nas últimas décadas, perdeu espaço para a Escola construtivista no Brasil. Estabelece metas por períodos, exercícios para fixação dos conteúdos e aprimoramento das habilidades (como o “desenho” das letras) e avaliações periódicas. Livros didáticos e de histórias servem como material de apoioPrós: costuma obter bons resultados em avaliações formais sobre o desempenho dos alunos por se preocupar com o desenvolvimento da leitura e da escritaContras: exige grande disponibilidade do professor para planejar aulas. É criticado por construtivistas por transmitir o conhecimento pronto aos alunosSaiba mais: site www.alfaebeto.org.brGESTÃO EDUCACIONAL PROGRAMA CIRCUITO CAMPEÃOQuem aplica: Instituto Ayrton Senna, de São Paulo (SP)O que é: não é propriamente um método didático de alfabetização, mas um sistema para o aprimoramento da gestão educacional. Os professores têm metas de conteúdo que devem ser aprendidos pelos alunos a cada bimestre e agem com base em indicadores, reforçando conteúdos ou estimulando os alunos a não perderem aulas, por exemplo. Supervisores acompanham os professores e o andamento da disciplina. O material de apoio inclui obras de literatura infantilPrós: por ser um método de gestão, pode se adaptar sem problemas a Escolas com diferentes linhas didáticasContras: alguns consideram o método uma importação de princípios “empresariais” para a sala de aula, em que se privilegia a busca por resultadosSaiba mais: site senna.com.brPÓS-CONSTRUTIVISMOQuem aplica: Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação (Geempa), de Porto AlegreO que é: enquanto o construtivismo prega a necessidade de que o próprio aluno “construa” seu conhecimento a partir de provocações do professor, testando hipóteses que ele mesmo cria, o pós-construtivismo acrescenta a isso a necessidade de troca de experiências entre as crianças. Os alunos atuam em pequenos grupos e discutem as respostas para suas próprias dúvidas. O trabalho é marcado pela interpretação de palavras e textos relacionados ao universo dos estudantes, para estimular o interessePrós: estimula o espírito crítico e respeita os ritmos de aprendizagemContras: exige um longo treinamento do professor para aplicar o método adequadamente, o que pode levar até dois anos com reuniões periódicas. É criticado por defensores do método fônico por tolerar em demasia erros dos alunosSaiba mais: www.geempa.org.br
FONTE:http://www.todospelaeducacao.org.br/Comunicacao.aspx?action=5&mID=1331
A formação permanente do professor, é fundamental para reflexão crítica sobre a prática. Paulo Freire
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Time de GUERRA!
Estou de volta !
Depois de algum temopo estou devolta ao NTE agora aprendendo um pouco mais sobre hipertextos, internet,e tudo mais que tiver dúvida sobre novas tecnologias na educação.
O curso em si é muito interessante, ao mesmo tempo exige bastante da gente...
O que é essencial para a aprendizagem acontecer.
Vou continuar persistindo...
Até, Letíciap
O curso em si é muito interessante, ao mesmo tempo exige bastante da gente...
O que é essencial para a aprendizagem acontecer.
Vou continuar persistindo...
Até, Letíciap
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